quarta-feira, 23 de março de 2011

Num pode ser...

"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, (...), meu endereço.
O amor comeu meus cartões de visita.
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
(...)
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
(...)
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
(...)
O amor comeu meu Estado e minha cidade.
(...)
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio,
minha dor de cabeça, meu medo da morte."

segunda-feira, 21 de março de 2011

Feliz ano novo...

Este texto está um pouco atrasado, já que a idéia inicial era publicar-lo no primeiro dia do ano, ou seja, dia 09 de Março, mas enfim, devido a minha falta de interesse pelas coisas só estou postando agora.

Por força do hábito, ou mesmo pela grande falta de assunto que nos acomete na época do ano, dizemos que um ano é sempre igual a outro. Pura injustiça essa, com todos os fatos, bons ou ruins que nós passamos todos os segundos da vida.

De quatro anos pra cá, tenho passado todos os anos por porradas muito fortes, e tenho suportado, talvez não sem seqüelas. Cada ano um coice diferente, uma mais fraco, outros alcançando o topo da minha já abalada escala psicológica. Falo de quatro anos porque é de onde me recordo e pronto.

Isso me dá a perfeita sensação de que um ano não se repete, você pode estar pensando: Lógico seu animal! Mas é questão é a nossa força e vontade de superar os desafios.

Digo isso, porque a muito vou com a maré. Sem animo, sem paixões, sem vida. Ou melhor, com uma vida vazia, de conversas vazias e presenças vazias. Um grande vácuo que eu tento preencher mas até hoje só consegui perceber o quão amargo estou. O mais irônico disso tudo que, quanto mais distante estou a força do destino me trás a arrebentação e, de forma cruel, me mostra que tenho que ser cada dia mais forte.

Esse ano será uma desses que com certeza se tornará um divisor. Antes e depois de 2011. E a pergunta que eu mais me faço por esses dias é: Eu estarei aqui pra isso?

quinta-feira, 3 de março de 2011

Viver...

Na verdade a vontade não é de sumir, pelo contrário. A vontade é de aparecer. Aparecer em casa no meio da tarde e poder assistir um filme com uma boa companhia, aparecer em algum lugar onde se toque um bom rock n’ roll, ou quem sabe aparecer num grande concerto da sua banda favorita.

Poder aparecer sem pressa na casa dos amigos, poder aparecer sem avisar.

Poder aparecer e permanecer. Estar junto, conviver, conectar, atar e não mais desatar.

A vontade é apenas essa, de viver. Viver plenamente o momento, viver os sentidos, apreciar a vida. A vontade é apenas de não se preocupar, a vontade é de desfrutar.

O tempo passa e a única certeza que temos é que vamos morrer, e vamos morrer. O que você faz com a sua vida enquanto se esquece dela é a diferença no final da jornada. Enquanto você de lembra das taxas, dos impostos, dos faróis fechados, das contas, da discussão que teve naquela tarde de quarta-feira as 17h45 de janeiro passado, a sua vida passa. E ela não vai mais voltar, nunca mais vai voltar.

Surpresas e mudanças sempre irão te pegar de surpresa, por mais preparado que você esteja. Seja forte, vão precisar da sua força, do seu carinho e do seu abraço. Eu mesmo não vivo sem, mas hoje já me perdi nos labirintos dos sentimentos e ainda espero pacientemente por aquele abraço que não chegará.

Mas agora não é a hora de fraquejar, choramingar. De se revoltar! Esteja preparado por que é a sua vez de atuar.

Há três acontecimentos na existência humana: nascimento, vida e morte. Nascemos sem saber, morremos sem querer e esquecemos de viver. - Jean de la Bruyér

terça-feira, 1 de março de 2011

Sociedade da desculpa

Vivemos numa época em que ninguém mais tem culpa de nada.

Sujeito mata, estupra, rouba, sequestra e não tem mais culpa, a culpa hoje é da sociedade. O indivíduo não, ele é a vítima, a culpa que seria dele hoje é nossa. Nossa não, de vocês por que a minha parte eu faço.

E assim a culpa vai passando de um para o outro. Sem punir ninguém. Enquanto os desculpados vão matando, estuprando, roubando por não ter oportunidades.