quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pelo caminho

Quando olho nos seus olhos sinto uma tristeza profunda e desesperadora. Sinto um coração retalhado, amargo, sem esperança de continuar batendo.

Quando observo o seu semblante, vejo marcas da agonia que te assombra. Tão arrepiante é o seu olhar, quanto inexplicável essa solidão que te acompanha há tanto tempo.

Como chegou a este ponto? Onde se perdeu em si mesmo que hoje não se encontra mais em nada?

Essas madrugadas em claro, errante em seu mundo confuso. A beira da cama com o rosto escondido entre os dedos trêmulos. O movimento frenético das pernas contrasta com o silêncio da rua, quebrado apenas por seus passos e pelo latir do vira-lata da casa vizinha.

Último gole da garrafa de vinho. Último gole da última garrafa de vinho.

Se os medos acabassem junto com esse gole de vinho estaria tudo resolvido. Você teria sobrevivido a mais uma noite, quem sabe quando os novos raios de sol da manhã trouxessem um novo sentido para vida.

Quando olho para o que você se tornou não reconheço nada desta figura vazia e solitária. Onde foi parar essência que transbordava e encantava os ambientes por onde passava?

A vida continua passando. Lembre-se disso antes de querer ficar pelo caminho de vez.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Se fosse..

Ah! Se o mundo fosse perfeito;
Se vida tivesse sentido;
Se o mal fosse passageiro;
Se o bem fosse eterno;
Se os dias fossem sonhos;
Se os sonhos fossem verdade;

Se as ilusões fossem tangíveis;
Se as barreiras fossem de areia;
Se as mentiras fossem inocentes;
Se a infância não se acabe;

Se os preconceitos fossem jogos;
Se as tristezas fossem solúveis;
Se idéias fossem comuns;
Se os desejos fossem fáceis;

Se as doenças fossem cócegas;
Se os pecados fossem doces;
Se o caminho fosse alegre;
Se o futuro fosse nave.