sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal

Mais um Natal chegou e se foi, mais um Natal...

Minhas primeiras recordações do Natal são de eu ansioso pela chegada dos primos, a compra de presentes, o cheiro das frutas, especialmente manga, brincadeiras. O pessoal reunido falando alto ao mesmo tempo de diversos assuntos com todos, cada um dava seu pitaco sobre todos os assuntos.

Mas os Natais não são mais os mesmo. Não tem mais os mesmo cheiros e sabores, não tem mais as mesmas brincadeiras e companhias. Sinto que a cada ano vão ficando mais tristes e solitários. Sinto que o Natal retrasado foi melhor que o passado e o passado foi melhor que desse ano.

Quanta ingratidão alguém diria, com razão talvez. Mas são apenas meus sentimentos baseados no que eu vivo, que eu sinto, no que eu sou....

Não me preocupo com o futuro e como poderá ser os próximos Natais, do mesmo modo que a ansiedade já não me acompanha a preocupação não ajudará em nada.

Não programo os Natais, não os planejo, apenas os vejo acontecer.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ciclos

Os ciclos são sempre os mesmos, se iniciam e se encerram numa sucessão infinita, repetitivos, exaustivos, ridículos e muitas vezes desnecessários. Semelhante as estações do ano, que se sucede a cada período, cada fração de tempo, ressuscitando fantasmas exorcizados, sonhos esquecidos, barreiras rompidas.

Assim como as folhas no outono que caem e deixam a árvore sem vida, seca e sem beleza alguma são as paixões com a minha vida. As paixões me deixaram, decidiram sua sorte a revelia e se foram.

Pude perceber que não tenho paixões, ambições, planos, nada. Vejo pessoas apaixonadas por fotografia, por música, por esportes, por livros, por pessoas. Observo as pessoas sorridentes com os olhos cheios de brilho comentando sobre suas paixões, como são felizes com a profissão que escolheram e se aprofundam cada dia mais no ramo. Tem ambições de crescer, de conquistar algo, criaram planos de ação e os põe em prática. Felizes, apaixonados.

Eu?

Eu apenas vivo, um dia após o outro, sem paixões, sem interesses.

Se o leitor tiver a curiosidade e tempo de procurar em algum post passado tem um comentário onde um anônimo diz que eu não tenho mais motivos pra acordar a cada manhã. Os dias se passam e eu sinto isso profundamente.

Não por falta de tentativas, eu tento, procuro, me esforço, pena que em vão. Não vejo mais graça no trabalho, não me interesso mais por música, as pessoas se apresentam falsas e hipócritas. Felicidade instantânea, descartável, líquida.

Não sei aonde ir, não tenho aonde ir. Não levo a vida, ela me conduz por caminhos fáceis e solitários, um dia após o outro. De ciclos em ciclos, ano após anos.

O que me resta é esperar meu ciclo se encerrar, o que me resta é o resto.