O que me mata não é o relógio estagnado no visor do celular, não é ansiedade de contar cada segundo pra ter a certeza que o tempo está passando ou no mínimo ter a ilusão de que os minutos estão seguindo e continuar me enganando nessa brincadeira inútil e paliativa.
O que me mata não é certeza de que mesmo com o arrastar do tempo não terei a sua companhia novamente, nem mesmo as lembranças de como tudo parecia intenso e concreto, de como o caminho se abria conforme íamos passando, caminhos desconhecidos mas, que pareciam tão familiar e seguros. Nunca foi tão fácil andar de olhos fechados.
O que me mata não é o trauma e o medo incessante dos fins de semana, que se tornaram longos pesadelos solitários, submerso em pensamentos degradantes, criando conspirações fantasiosas de rejeições e sátiras desumanas. Planos infalíveis, que escorrem pelos dedos como grãos de areia. A interminável tortura, vasculhando os cantos, passos perdidos, desnorteados indo de lá pra cá. Somente o som dos pensamentos e o movimento da sobra pelo chão.
O que me mata é depois de tanto tempo conseguir vislumbrar algo diferente, o que me mata é mesmo depois de tudo isso, depois de tantos erros, depois de tantos golpes é conseguir cometer os mesmo e grosseiros erros.